O responsável do DAPSc

Quem é José Pedro Amaral?


  JOSÉ PEDRO RODRIGUES DO AMARAL OLIVEIRA

45 anos nascido em Cedofeita, Porto, em 24/02/1959
Funcionário Público  
Habilitações Académicas: 9.º Ano e Frequência do 1.º Ano Complementar, nocturno, do Curso de Imagem e Audiovisuais  Incapacidade: Surdocegueira
 
Tendo-me, por causas desconhecidas à época, tornado um mero deficiente auditivo, com correcção por prótese, aos 3,5 anos de idade, e não tendo perdido a capacidade de falar oralmente, fiz um percurso escolar, de certa forma, pode dizer-se, regular; embora com as dificuldades inerentes de uma surdez neurosensorial severa.
 
No decurso da minha vida as dificuldades a nível da visão sempre se manifestaram; muito embora só na escola elas se tornaram evidentes, e, até, problemáticas, pois não lia o que se escrevia no quadro nas aulas.
 
Em 1993, subitamente, tive uma perda total da audição que durou cerca de 7 meses, mas durante esse período não baixei os braços para a recuperar, e, tão subitamente quanto a perdi, recuperei-a, embora não toda a que tinha antes dessa perda; tendo que mudar de prótese auditiva.
 
As dificuldades a nível visual sempre se foram, tenuemente, agravando; até que se começaram a manifestar, também, cataratas congénitas; tendo-as removido, por cirurgia Intraocular aos 42 anos, o que me permitiu abandonar a bengala branca durante o dia, tendo, apenas, que a usar somente à noite e em locais pouco ou nada iluminados; pois tenho cegueira-noctutma.
 
A perda, total, da audição, tal como em 1993, e, no mesmo mês, deu-se em 1997; mas até hoje a não mais recuperei; restando-me agora a “audição intuitiva”, e, por isso, passei a “ouvir” o que me dizem através da escrita na palma da minha mão, e não só! pois que as novas tecnologias, no caso, os computadores com software de ampliação de ecrã, dos carateres que formam as palavras e frases do que me dizem por forma a que eu “oiça” mentalmente, técnica essa que foi criada por Ann Sullivan para que pudesse comunicar com a sua pupila Helen Keller nos finais do séc. XIX.
 
Sobre essa forma de Comunicar poderá ler neste site “Comunicando com uma Pessoa Surdocega”, muito embora não seja a única forma de o fazer, pois existem outras que são usadas em função da precocidade e congenuinidade da aquisição da surdocegueira; a qual não se resume à junção das duas incapacidades sensoriais, a audição, a cegueira, e, ou a baixa-visão, mas sim a uma incapacidade só, com as suas características e dificuldades muito próprias e peculiares.
 
Mas, apesar de tudo, isto não é um “quadro negro”; pois a força de viver e de fazer viver não abandona o Surdocego, e, tal como Helen Keller, eles podem, e devem-no! ser muito produtivos e úteis à Sociedade, se esta não se abstiver das suas responsabilidades perante todos; tal como, também, e sobretudo, o papel da família o é.
 
Enfim, uma forma diferente de estar na vida; e, neste caso, aproveitando os meus conhecimentos, experiências e capacidades, dando o melhor que sei e posso no DAPSc para todos aqueles que, tal como eu, se vêem diante destas dificuldades.

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